Um fotógrafo brasileiro no Oriente Médio em chamas

ChaimEntre ruínas e escombros: Gabriel Chaim dialoga sobre sua experiência cobrindo as guerras que os EUA e seus aliados promovem na Síria, Iraque e Iêmen

Por Vinicius Gomes Melo | Fotos: Gabriel Chaim

Era início do verão no hemisfério norte quando o paraense Gabriel Chaim entrou com sua câmera e seus equipamentos de filmagem no norte do Iêmen, uma área controlada pelos rebeldes houthis e de quase impossível acesso para qualquer estrangeiro, ainda mais para um jornalista do Ocidente – ao menos, na concepção geográfica da palavra.

Não demorou para ele ser procurado pelos grandes veículos internacionais de comunicação perguntando-lhe como conseguiu o feito. Chaim não disfarça a satisfação de ter realizado tal façanha, sendo um brasileiro atuando de maneira independente e sem o apoio financeiro desses gigantes da mídia estrangeira — que não se entusiasmaram quando o fotógrafo propôs a pauta pela primeira vez.

Considerado o país mais pobre do Oriente Médio, o Iêmen foi apenas a última parada do premiado fotógrafo antes de retornar ao Brasil para a produção de um documentário junto à Globo News sobre esse conflito que já dura três anos. Também aproveitou para participar de uma conversa com o público em um evento organizado pela DOC Galeria, escritório que representa suas fotografias desde 2014. Continuar lendo

O que será do Curdistão?

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Menos de um mês depois de os curdos expressaram seu desejo de independência em relação ao Iraque, sonho de um país próprio encontra-se muito mais longe. Um erro de cálculo monumental levou ao fracasso

Por Vinicius Gomes Melo

No último domingo de setembro, o roxo na ponta do dedo indicador – ao lado da bandeira de listras verde, branco e vermelho, com o alegre sol amarelo em seu centro – era o maior sinal de orgulho para a população curda dentro Iraque. A marca demonstrava que seu portador tinha acabado de participar do plebiscito para a independência da Região Autônoma Curda, ou Curdistão iraquiano.

Nesse dia, enquanto muito da atenção internacional esteve voltada à Catalunha, que também consultava sua população em um referendo sobre a independência, cerca de 92% das três milhões de pessoas que compareceram aos postos eleitorais votaram a favor da indepedência. Ainda que o plebiscito fosse apenas uma consulta de opinião, sem poder jurídico automático, a quase unanimidade na pleito evidenciou que os curdos, não apenas no Iraque, mas na Síria, na Turquia e no Irã ainda desejam ter seu próprio país. Numa cruel ironia, aquele dia marcou o momento em que a esperança para um Curdistão independente ficou ainda mais longe. Continuar lendo