Na África, choque entre potências, espionagem e intrigas

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Enciumados com os chineses, que doaram à União Africana sede de 200 milhões de dólares, EUA e França acusam Pequim de vigilância. Intriga revela enorme interesse internacional sobre continente

Por Vinicius Gomes Melo

Os escritórios já se encontram vazios e o silêncio reina dentro do imponente complexo de vidro espelhado, próximo ao antigo aeroporto em uma das principais avenidas de Adis Abeba, capital da Etiópia. É ali que está sediada a União Africana (UA), a mais importante organização internacional do continente.

Porém, é na madrugada, quando toda atividade do dia cessa, que os servidores da organização internacional parecem mais trabalhar. Durante as primeiras duas horas do dia, todas as informações e comunicação digital que trafegaram internamente saía da cidade no leste africano diretamente para outros servidores, cerca de oito mil quilômetros distantes, na China.

Isso teria ocorrido por cinco anos desde que o complexo fora inaugurado, em janeiro de 2012, cujas obras foram financiadas pelo próprio governo chinês, então presidido por Hu Jintao. O presente de 200 milhões de dólares dos chineses – que inclusive fizeram questão de que o prédio principal medisse 99,9m, em homenagem ao dia 9 de setembro de 1999, quando a Organização da União Africana votou para se transformar na atual UA – teve suas obras finalizadas no final de 2011 e seus trabalhos iniciados já no primeiro mês do ano seguinte, e com eles, a espionagem chinesa.

Bem, pelo menos é isso que o jornal francês Le Monde reportou recentemente, mas será que tudo isso de fato aconteceu?

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