EUA: Bernie Sanders, o socialista, está de volta

Senator Bernie Sanders, an independent from Vermont and 2016 Democratic presidential candidate, raises his fist after speaking during a campaign rally Milton High School in Milton, Massachusetts, U.S., on Monday, Feb. 29, 2016. Sanders is pinning his hopes for staying in the Democratic presidential race on working-class white voters, the same constituency that helped Hillary Clinton extend her 2008 campaign. Photographer: Scott Eisen/Bloomberg via Getty Images

Em outro sinal de avanço de uma nova esquerda, ele lançou candidatura à Presidência e recebeu apoio ainda maior que em 2016. Mas há obstáculos à frente — em especial na cúpula do Partido Democrata

Por Vinicius Gomes Melo

Ele está de volta. Menos de 24 horas após anunciar que concorreria mais uma vez à eleição presidencial norte-americana, o senador Bernie Sanders arrecadou quase 6 milhões de dólares em doações individuais para sua campanha. O valor é quatro vezes maior do que ocorrera em 2015 — e foi doado por 223 mil pessoas, o que resulta numa contribuição média de 27 dólares – um número quase cabalístico e que ficou marcado como símbolo da rejeição de Sanders às doações milionárias para campanhas políticas.

Mas a pergunta que não quer calar é: será que agora o Partido Democrata permitirá que Sanders, um senador sem filiação partidária, um autoproclamado socialista democrático e um outsider tenha uma chance real nas eleições de 2020? Continuar lendo

Trump, o bufão isolado

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Em novo sinal do declínio dos EUA, presidente ameaça romper acordo nuclear com Irã e é rechaçado por seus próprios aliados europeus. Gesto alimenta linha dura de Teerã

Por Vinícius Gomes Melo

Nesse final de semana, Donald Trump oficializou aquilo vinha ensaiando nas últimas semanas: ele sabotou o acordo nuclear com o Irã. Ao decidir unilateralmente por sua não-certificação, o presidente norte-americano conseguiu, numa só tacada, antagonizar aliados, fortalecer a ala linha-dura dentro do Irã e destruir a credibilidade dos EUA perante o mundo – e de quebra, envolver o planeta em mais uma complexa crise nuclear, afinal, só a Coreia do Norte não bastava.

O acordo negociado com o Irã impôs rígidos limites ao programa nuclear do país, em troca, a comunidade internacional cessou uma série de sanções econômicas. Desde então, a cada 90 dias, os EUA têm que confirmar que Teerã tem se mantido dentro do acordo para as sanções continuarem suspensas.
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E se Donald Trump cair?

pencePerfil de Mike Pence, o homem que assumiria a Casa Branca. Ele é tão contrário aos direitos humanos como o presidente — e muito mais ligado ao establishment político e à indústria de armamentos

Por Vinicius Gomes Melo

Pneumonia, ataque cardíaco, hemorragia cerebral, gastroenterite aguda, renúncia e assassinatos (quatro, no total) do governante eleito. Essas foram as causas que levaram nove vice-presidentes dos Estados Unidos ao posto de líder do país. Uma taxa de quase 20%. Em tempos de impeachment, nunca é demais considerar esse cenário.

E se as orações de um significativo número de pessoas nos EUA, e ao redor do mundo, fossem atendidas e Donald Trump se tornasse o décimo norte-americano a não terminar sua presidência? Continuar lendo

Uma alternativa nas eleições dos Estados Unidos?

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Diante da xenofobia de Trump e da agressividade imperial de Hillary, parte dos apoiadores de Bernie Sanders vê saída em Jill Stein — candidata da esquerda verde. Mas quem é ela e o que propõe?

Por Vinicius Gomes Melo

No momento em que a Convenção Nacional Democrata anunciou oficialmente que Hillary Clinton seria a representante do partido na corrida presidencial de 2016, é possível imaginar que dezenas de milhões de apoiadores e apoiadoras de Bernie Sanders olhando para os lados e perguntando-se “e agora?”.

Foi quando depararam-se com a escolha que tanto temiam — ter de votar em Hillary Clinton — que uma alternativa mostrou-se mais clara: Jill Stein, do Partido Verde.

No dia seguinte à nomeação da primeira mulher a concorrer pela Casa Branca por um dos dois grandes partidos do país, Stein estava nos metrôs da Filadelfia rodeada por pessoas que faziam fila para conversar e tirar selfies com a candidata.

As comportas se abriram. Eu me sinto quase uma assistente social conversando com os apoiadores de Bernie”, dizia Stein a uma repórter que testemunhava tudo. “Seus corações estão partidos. Todos sentem que foram violados e enganados, em grande parte pelo Partido Democrata”.

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A política externa de Donald Trump

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Establishment de Washington zomba do candidato republicano — rejeitado até por setores de seu partido. Mas sua proposta de rever posição agressiva dos EUA no mundo merece ser examinada atentamente

Por Vinicius Gomes Melo

Na semana em que o magnata conseguiu passar todos os limites (até mesmo para ele) ao incentivar hackers russos a invadirem os servidores do e-mail pessoal de Hillary Clinton, o tema “política externa” voltou a ser pauta e na corrida presidencial norte-americana e poderá desempenhar papel decisivo na escolha de quem ocupará a Casa Branca a partir de 2017.

Depois de sua declaração bombástica, o Partido Democrata não deixará tão cedo de ligar a imagem do candidato republicano à do premiê russo Vladimir Putin – a quem está recaindo a culpa sobre o recente vazamento do WikiLeaks – tudo por conta desse “convite” para que uma potência estrangeira lançasse uma operação de espionagem cibernética contra a possível próxima presidenta dos Estados Unidos.

Porém, entre todas as suas bravatas xenofóbicas, chiliques narcisistas e atitudes dignas de um moleque briguento no pátio da escola, há um assunto que Donald Trump já expôs um raro vislumbre de bom senso – ainda que enviesado: a política externa dos Estados Unidos. Continuar lendo