As transnacionais contra os Direitos Humanos

Enterrados na lama, bombeiros procuram corpos após rompimento da barragem da Vale, em Mariana-MG

Enterrados na lama, bombeiros procuram corpos após rompimento da barragem da Vale, em Mariana-MG

Nova edição do relatório Direitos Humanos no Brasil será lançada hoje. Nele, um tema crucial: como corporações como a Vale montam “arquitetura de impunidade” para atacar sociedade e devastar a natureza sem correr riscos

Por Reginaldo Nasser e Terra Bundini


LANÇAMENTO:
Direitos Humanos no Brasil 2016
Publicação da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Terça-feira, 21/2, a partir das 19h, no Al Janiah
Rua Rui Barbosa, 269 – Bixiga – São Paulo (mapa) — Metrô S. Joaquim (1,2 km)
(detalhes aqui)

Em 5 de novembro de 2015, a cidade histórica de Mariana, em Minas Gerais, foi palco de um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, que resultou na morte de 19 moradores, desalojou centenas de famílias e enterrou o distrito de Bento Rodrigues e outras localidades vizinhas. Para além do impacto imediato, estima-se que o dano possa chegar a 1 milhão de pessoas, se considerada toda a extensão do Rio Doce, bem como ao ecossistema e à biodiversidade. A tragédia tem ainda impacto na economia local, no emprego e na renda de milhares de pessoas.

As barragens pertencem à Mineradora Samarco que é controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. A BHP Billinton, por sua vez, é uma fusão da australiana Broken Hill Proprietary Company com a inglesa Billiton, que atua em diversos países no mundo e já foi responsabilizada pela contaminação do meio ambiente no Peru e em Papua Nova Guiné. A Vale é controlada pela Valepar (com 53,9% do capital votante e um terço do capital total), além de ter capital aberto em bolsas de valores, com participação de investidores brasileiros e estrangeiros. O governo federal e o BNDESpar também possuem pequena participação na empresa. A Valepar por sua vez é controlada por fundos de investimentos administrados pela Previ, pela Bradespar (Bradesco), pela multinacional japonesa Mitsui e pelo BNDESpar. Continuar lendo