Afeganistão invadido, a capital do ópio

Ópio Agricultores colhem ópio no campo da papoila, no distrito de Zhari, no Afeganistão. Foto: Allauddin Khan / AP

Como os Estados Unidos, a pretexto de lutar contra o Talibã, fortaleceram os “senhores da guerra” tribais e os estimularam a multiplicar por trinta a área de cultivo de papoula

Por Paulo Meirelle

A primeira etapa da guerra ao terror conduzida pelos Estados Unidos, na sequência dos atentados de 11 de setembro de 2001, foi a invasão do Afeganistão, cujo objetivo de longo-prazo era a sua transformação em um Estado democrático. Um dos imperativos dessa missão era colocar fim à capacidade de produção e exportação de drogas daquele país, atividade percebida como corrosiva da economia e das instituições democráticas.

Apesar dessa diretriz, os anos que se seguiram à invasão norte-americana foram aqueles que registraram os maiores índices de produção de ópio da história afegã. Essa contradição é resultado da estratégia adotada pelos Estados Unidos para alcançar outros dois imperativos na busca pela democracia: a derrubada do governo Talibã e a destruição da Al Qaeda. Continuar lendo