Sudão do Sul: mais uma guerra esquecida na África (I)

(Albert Gonzalez Farran/Agence France-Press /Getty Images)

(Albert Gonzalez Farran/Agence France-Press /Getty Images)

Cinco anos após “independência”, país está mergulhado num conflito tão selvagem quanto ignorado pelo mundo. Washington, que instigou a secessão, agora cruza os braços

Por Vinicius Gomes Melo

“Às vezes, os Estados Unidos levam caos a outro país
atirando bombas ou invadindo.
No Sudão do Sul, nós fizemos diferente”
Stephen Kinzer, Boston Globe

Na noite de 8 de julho, um dia antes do quinto aniversário de independência do Sudão do Sul, um confronto armado deixou 273 cadáveres estendidos na rua em frente ao parlamento, na capital Juba. A intensa troca de tiros aconteceu entre a guarda presidencial do governante do país, Salva Kiir, e seus oposicionistas comandados pelo ex-vice-presidente Riek Machar.

Ambos estavam dentro do prédio parlamentar negociando mais um cessar-fogo quando irrompeu este novo episódio de violência que já tornou-se rotina na vida do país, desde que a disputa política entre os dois, desde 2013, degenerou numa guera total que, segundo a porta-voz da missão da ONU no país, já tirou a vida de mais 50 mil pessoas, transformou quase 2,5 milhões de habitantes em desabrigados e deixou o já paupérrimo país à beira da fome generalizada. Economicamente, o conflito fez com que a inflação disparasse em quase 300% e a moeda local tivesse uma desvalorização de 90%, em 2016, praticamente colapsando a indústria do petróleo, que representa quase que toda a renda do Sudão do Sul.

A esse cenário caótico, somam-se elementos que tornam o conflito no Sudão do Sul particularmente cruel. De acordo com investigadores da União Africana, a descoberta de inúmeras valas coletivas forneceram as provas de atrocidades cometidas por ambos os lados do conflito. Continuar lendo

Uma alternativa nas eleições dos Estados Unidos?

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Diante da xenofobia de Trump e da agressividade imperial de Hillary, parte dos apoiadores de Bernie Sanders vê saída em Jill Stein — candidata da esquerda verde. Mas quem é ela e o que propõe?

Por Vinicius Gomes Melo

No momento em que a Convenção Nacional Democrata anunciou oficialmente que Hillary Clinton seria a representante do partido na corrida presidencial de 2016, é possível imaginar que dezenas de milhões de apoiadores e apoiadoras de Bernie Sanders olhando para os lados e perguntando-se “e agora?”.

Foi quando depararam-se com a escolha que tanto temiam — ter de votar em Hillary Clinton — que uma alternativa mostrou-se mais clara: Jill Stein, do Partido Verde.

No dia seguinte à nomeação da primeira mulher a concorrer pela Casa Branca por um dos dois grandes partidos do país, Stein estava nos metrôs da Filadelfia rodeada por pessoas que faziam fila para conversar e tirar selfies com a candidata.

As comportas se abriram. Eu me sinto quase uma assistente social conversando com os apoiadores de Bernie”, dizia Stein a uma repórter que testemunhava tudo. “Seus corações estão partidos. Todos sentem que foram violados e enganados, em grande parte pelo Partido Democrata”.

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A política externa de Donald Trump

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Establishment de Washington zomba do candidato republicano — rejeitado até por setores de seu partido. Mas sua proposta de rever posição agressiva dos EUA no mundo merece ser examinada atentamente

Por Vinicius Gomes Melo

Na semana em que o magnata conseguiu passar todos os limites (até mesmo para ele) ao incentivar hackers russos a invadirem os servidores do e-mail pessoal de Hillary Clinton, o tema “política externa” voltou a ser pauta e na corrida presidencial norte-americana e poderá desempenhar papel decisivo na escolha de quem ocupará a Casa Branca a partir de 2017.

Depois de sua declaração bombástica, o Partido Democrata não deixará tão cedo de ligar a imagem do candidato republicano à do premiê russo Vladimir Putin – a quem está recaindo a culpa sobre o recente vazamento do WikiLeaks – tudo por conta desse “convite” para que uma potência estrangeira lançasse uma operação de espionagem cibernética contra a possível próxima presidenta dos Estados Unidos.

Porém, entre todas as suas bravatas xenofóbicas, chiliques narcisistas e atitudes dignas de um moleque briguento no pátio da escola, há um assunto que Donald Trump já expôs um raro vislumbre de bom senso – ainda que enviesado: a política externa dos Estados Unidos. Continuar lendo