O que será do Curdistão?

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Menos de um mês depois de os curdos expressaram seu desejo de independência em relação ao Iraque, sonho de um país próprio encontra-se muito mais longe. Um erro de cálculo monumental levou ao fracasso

Por Vinicius Gomes Melo

No último domingo de setembro, o roxo na ponta do dedo indicador – ao lado da bandeira de listras verde, branco e vermelho, com o alegre sol amarelo em seu centro – era o maior sinal de orgulho para a população curda dentro Iraque. A marca demonstrava que seu portador tinha acabado de participar do plebiscito para a independência da Região Autônoma Curda, ou Curdistão iraquiano.

Nesse dia, enquanto muito da atenção internacional esteve voltada à Catalunha, que também consultava sua população em um referendo sobre a independência, cerca de 92% das três milhões de pessoas que compareceram aos postos eleitorais votaram a favor da indepedência. Ainda que o plebiscito fosse apenas uma consulta de opinião, sem poder jurídico automático, a quase unanimidade na pleito evidenciou que os curdos, não apenas no Iraque, mas na Síria, na Turquia e no Irã ainda desejam ter seu próprio país. Numa cruel ironia, aquele dia marcou o momento em que a esperança para um Curdistão independente ficou ainda mais longe. Continuar lendo