(P)Ilhas de Lixo: o nascimento de um país

Em novo esforço para despertar consciência ambiental, movimento pleiteia o direito de transformar em país uma pilha de lixo do tamanho da França, que flutua no Oceano Pacífico

Por Vinicius Gomes Melo

Al Gore. Ex-vice-e-ex-futuro-presidente dos Estados Unidos é o primeiro cidadão reconhecido das Trash Isles, ou Ilhas de Lixo, ou (P)ilhas de Lixo (nunca um trocadilho foi tão fácil de fazer numa tradução para português).

No mínimo, ele é o primeiro com passaporte entre as mais de 100 mil pessoas que subscreveram seu desejo de receber a cidadania da pilha de lixo do tamanho da França que boia no Pacífico Norte, próximo ao Havaí. Continuar lendo

Sudão do Sul: mais uma guerra esquecida na África (I)

(Albert Gonzalez Farran/Agence France-Press /Getty Images)

(Albert Gonzalez Farran/Agence France-Press /Getty Images)

Cinco anos após “independência”, país está mergulhado num conflito tão selvagem quanto ignorado pelo mundo. Washington, que instigou a secessão, agora cruza os braços

Por Vinicius Gomes Melo

“Às vezes, os Estados Unidos levam caos a outro país
atirando bombas ou invadindo.
No Sudão do Sul, nós fizemos diferente”
Stephen Kinzer, Boston Globe

Na noite de 8 de julho, um dia antes do quinto aniversário de independência do Sudão do Sul, um confronto armado deixou 273 cadáveres estendidos na rua em frente ao parlamento, na capital Juba. A intensa troca de tiros aconteceu entre a guarda presidencial do governante do país, Salva Kiir, e seus oposicionistas comandados pelo ex-vice-presidente Riek Machar.

Ambos estavam dentro do prédio parlamentar negociando mais um cessar-fogo quando irrompeu este novo episódio de violência que já tornou-se rotina na vida do país, desde que a disputa política entre os dois, desde 2013, degenerou numa guera total que, segundo a porta-voz da missão da ONU no país, já tirou a vida de mais 50 mil pessoas, transformou quase 2,5 milhões de habitantes em desabrigados e deixou o já paupérrimo país à beira da fome generalizada. Economicamente, o conflito fez com que a inflação disparasse em quase 300% e a moeda local tivesse uma desvalorização de 90%, em 2016, praticamente colapsando a indústria do petróleo, que representa quase que toda a renda do Sudão do Sul.

A esse cenário caótico, somam-se elementos que tornam o conflito no Sudão do Sul particularmente cruel. De acordo com investigadores da União Africana, a descoberta de inúmeras valas coletivas forneceram as provas de atrocidades cometidas por ambos os lados do conflito. Continuar lendo

Quem sucederá Ban Ki-moon na ONU?

Após dez anos, Ban Ki-moon deixará o cargo em 31 de dezembro de 2016 (AP)

Após dez anos, Ban Ki-moon deixará o cargo em 31 de dezembro de 2016 (AP)

Democratização ainda parece distante. Regra não-informal sugere que chegou a vez de alguém da Europa Oriental. Pressão para escolha de primeira mulher em 70 anos também pode influenciar

Por Vinicius Gomes Melo

No final deste ano, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon deixará o cargo após dez anos ocupando-o e já no próximo dia 21 de julho, o Conselho de Segurança se reunirá pela primeira vez para avaliar os possíveis candidatos e candidatas a ocupar o trigésimo oitavo andar na sede da organização em Nova York.

Desde o início do ano, alguns países-membros interessados já vêm apresentando nomes para que estes pudessem participar de debates públicos e passar por uma espécie de sabatina para a avaliação de suas capacidades para suceder Ban Ki-moon.

O que é algo inédito na ONU, considerando que a escolha da pessoa que representaria, teoricamente, todas as outras bilhões de pessoa do planeta, acontecia por trás de portas fechadas, semelhante ao conclave papal no Vaticano. Continuar lendo

Uma mulher no comando da ONU?

 

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As principais candidatas: Vesna Pusić (Croácia), Natalia Gherman (Moldávia), Irina Bokova (Bulgária), Hele Clark (Nova Zelândia)

Sete décadas depois de criadas, as Nações Unidas podem ter pela primeira vez uma mulher na secretaria-geral.

Por Vinicius Gomes Melo

Entre as eleições municipais por todo o Brasil e a corrida pela Casa Branca nos Estados Unidos, outra votação é digna de nossa atenção esse ano: a secretaria-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

No próximo dia 21 de julho, o Conselho de Segurança começará, de maneira oficial, a considerar os nomes que se candidataram para o cargo, e nos próximos meses, o mundo inteiro ficará sabendo quem será a nova pessoa a ocupar o 38. andar do prédio da ONU, em Nova York.

A grande novidade é que setenta anos e oito secretários-gerais depois, existe a real possibilidade de que uma mulher ocupe o posto pela primeira vez, quando Ban Ki-moon deixar o cargo em 31 de dezembro de 2016. Continuar lendo