Como o Brasil alimenta as guerras globais

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País já é o quarto exportador mundial de armamento leve — o que mais mata. Entre os clientes, Arábia Saudita, que promove agressão brutal contra o Iêmen

Robert Muggah, entrevistado por Vinicius Gomes Melo

No dia de 5 de dezembro de 2016, durante uma reunião na Assembleia-Geral das Nações Unidas, cerca de 180 países aprovaram a implementação da Conveção sobre Munições Cluster (CCM, sigla em inglês), que proíbe a produção, estocagem e venda desse tipo de armamento. As munições cluster carregam dezenas ou centenas de submunições explosivas. Após o lançamento, elas se abrem no ar, espalhando os explosivos sobre uma ampla área de impacto. Dada sua natureza, essa arma não distingue civis de militares. Mais de cem países já assinaram o tratado de 2008; o Brasil não é um deles.

Ao seu lado, estão o governo do Iêmen, a Arábia Saudita, Egito, Bahrein, Sudão, Qatar e Emirados Árabes – países que não são conhecidos por seu respeito aos direitos humanos – além dos tradicionais Estados Unidos, Rússia e China. 

Uma pergunta honesta a ser feita, caso alguém se desse ao trabalho de conectar os pontos, seria: “Por que o Brasil, notório defensor da resolução não-violenta e diplomática de conflitos internacionais, fica na contramão do mundo ao não apoiar um tratado que, em última instância, visa extinguir os danos humanitários e o sofrimento de população em zonas de conflito?”. Numa cruel ironia, a resposta para essa possível pergunta viria menos de 24 horas depois.  Continuar lendo