O justiceiro do Sul da Ásia

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Rodrigo Duterte, eleito em maio de 2016, ficará no cargo até 2021

Presidente das Filipinas mergulha país em sangue, ao estimular liquidação sumária de supostos criminosos. Washington faz vistas grossas, para cultivar um aliado contra a China

Por Vinicius Gomes Melo

Bandido bom é bandido morto”; “Tá com dó, leva pra casa”, “Direitos Humanos para humanos direitos”. Em 2014, frases de efeito tão perversas como essas tomaram as redes sociais, após a divulgação da foto de um adolescente negro não-identificado, preso pelo pescoço com uma tranca de bicicleta e no Brasil. A situação dividiu opiniões: de um lado, o grupo que entoava os motes acima; de outro, o grupo que entendia que justiçamento está bem longe de ser considerado justiça verdadeira.

A onda de vigilantismo que logo se instaurou no país foi minguando aos poucos – ou pelos menos, essas ações passaram a ser menos compartilhadas na rede. Porém, a chama do olho por olho continua acesa no íntimo de muitas pessoas.

Muitas delas provavelmente não saibam, mas um homem chamado Rodrigo Duterte compartilha da mesma crença delas, em especial no que diz respeito a traficantes de drogas. Em sua visão, a morte é o único destino para quem se envolve com o crime – ou no caso das Filipinas, para quem supostamente se envolve com o crime. Continuar lendo