(P)Ilhas de Lixo: o nascimento de um país

Em novo esforço para despertar consciência ambiental, movimento pleiteia o direito de transformar em país uma pilha de lixo do tamanho da França, que flutua no Oceano Pacífico

Por Vinicius Gomes Melo

Al Gore. Ex-vice-e-ex-futuro-presidente dos Estados Unidos é o primeiro cidadão reconhecido das Trash Isles, ou Ilhas de Lixo, ou (P)ilhas de Lixo (nunca um trocadilho foi tão fácil de fazer numa tradução para português).

No mínimo, ele é o primeiro com passaporte entre as mais de 100 mil pessoas que subscreveram seu desejo de receber a cidadania da pilha de lixo do tamanho da França que boia no Pacífico Norte, próximo ao Havaí.

trashisles
Organizada pela agência de conteúdo LadLibel e a organização Plastic Oceans Foundation, a campanha pleiteia o direito de transformar a enorme superfície de lixo acumulado em um país. Tendo inclusive, já enviado tal requisição para a ONU, em junho.

Segundo seus organizadores, a base jurídica está no Artigo 1 da Convenção de Montevidéu de 1993, acerca das regras para se criar um país. Para tal, é necessário definir um território, formar um governo, interagir com outros Estados e possuir uma população permanente.

Para adiantar os trabalhos, a campanha já preparou a bandeira, selos e até a moeda local, chamada “Resíduos”. Não é por menos, conforme a organização, “enquanto você lê isso, uma quantidade obscena de plástico está indo parar nos oceanos – totalizando, oito milhões de toneladas todos os anos, ou então, um caminhão cheio despejando lixo a cada minuto”.

Ilha não, galáxia!

Muitos consideram que uma ilha feita de lixo, na realidade, não existe. O que acontece no Pacífico, e em outros oceanos, estaria mais próximo de uma galáxia composta por milhões e milhões de pequenos resíduos plásticos que, por conta da ação do sol, de micro-organismos e da própria água, vai se despedaçando em fragmentos ainda menores (chamados micro-plásticos), sendo estes ainda mais perigosos não só para os oceanos, como para animais e, consequentemente, para nós mesmos.

Trazer consciência para a questão ambiental nunca foi uma tarefa fácil – especialmente no século 21, quando cada vez mais pessoas acreditam no Criacionsimo e que a Terra é plana. Porém, como salienta a campanha, não são apenas os animais que estão sofrendo com a poluição dos mares. Eles são apenas os primeiros. Estima-se que até 2050, haverá mais plástico nos oceanos do que peixes.

Ainda não se sabe se a campanha terá resultado, mas se o mundo demorar demais para agir, talvez seja necessário alterar o nome do futuro país para Ilhas de Lixo do Norte, pois o Pacífico Sul também já está formando uma nova (p)ilha pra chamar de sua.

Para quem quiser conhecer mais sobre o assunto, o blog recomenda o documentário compartilhado abaixo, Garbage Island: An Ocean Full of Plastic (sem legendas em português).

Uma ideia sobre “(P)Ilhas de Lixo: o nascimento de um país

  1. Seria melhor a ONU iniciar um movimento, visando à reciclagem do material que se encontra nos oceanos. Seria mais interessante e evitaria consumir matérias-primas derivadas do petróleo, utilizadas na fabricação. Erradicaria os resíduos e daria uma solução adequada.

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